Obesidade: Infantil

A obesidade nas crianças está a tornar-se num alarmante problema de saúde pública comum nas sociedades desenvolvidas.
Nos EUA, por exemplo, multiplicam-se os estudos de prospecção da dimensão do problema: o inquérito NHANES III, usando o IMC como critério, documentou uma prevalência de obesidade nas crianças da ordem dos 11 – 14%. o Sistema de Vigilância de Nutrição Pediátrica, tomando como critério a relação peso-altura, concluiu que entre as crianças desfavorecidas, com menos de 5 anos, 10 a 22% são obesas.

Outros estudos revelam que a obesidade atinge 3 em cada 10 crianças dos 6 aos 11 anos.

Esta tendência está a crescer não só nos EUA mas também na Europa, onde o problema se coloca com crescente acuidade.

Para resolver o problema, é necessário identificar as suas causas e a partir daí, definir as metodologias eficazes para o seu combate.

Identificar uma criança obesa

Para detectar precocemente o risco da obesidade, é preciso interpretá-lo em função da idade e da estatura da criança.
– Ao nascer, 17% do peso corresponde a gordura;
– No primeiro ano essa proporção aumenta até 25 a 30%, o que significa que a criança é naturalmente gorda e bochechuda;
– Esta percentagem diminui até aos 6 anos, pelo que nessa idade a criança terá um aspecto mais magro;
– A partir dos 7 anos a gordura corporal volta a aumentar progressivamente, sobretudo nas meninas, constituindo cerca de 23% do peso corporal aos 15 anos.
Conclusão: Existe um pico de magreza aos 6 anos, idade a partir da qual a corpulência volta a aumentar e por isso se fala em “ressalto” do tecido adiposo, ou seja, a gordura sobe para valores mais elevados, depois de ter atingido um mínimo.

O IMC (Índice de Massa Corporal) permite avaliar se a criança apresenta o peso certo em função da altura.

A fórmula para efectuar o seu cálculo é a seguinte:
(peso)/(altura)2

Porque engordam as crianças ?

A televisão e a obesidade infantil
Soa estranho dizer que a televisão faz engordar. No entanto, o hábito de passar horas consecutivas em frente ao ecrã explica a maior predisposição para a obesidade:

1) A exposição continuada a publicidade a alimentos, designadamente aqueles que são ricos em gordura e açúcar (ex.: doces);

2) A tendência para se ir comendo enquanto se está sentado em frente do ecrã (45% das pessoas comem enquanto assistem a programas);

3) As horas de sono que são perdidas por causa do vício do pequeno ecrã, desencadeiam determinados distúrbios que afectam a hormona do crescimento;

4) A atracção exercida pela televisão acaba por retirar motivação para outras actividades, nomeadamente o exercício físico.
As crianças devem ser levadas a descobrir outras fontes de entretenimento para além da TV, dos jogos de computador, consolas, etc..
Estudos científicos sugerem que naquelas que estão mais de 4 horas a ver televisão, a respectiva taxa metabólica tende a diminuir, enquanto o colesterol sobe para níveis demasiado elevados.

Factores genéticos como causa
Crianças pertencentes à mesma família podem ter uma diferente predisposição para a obesidade atendendo por um lado, à carga genética (o corpo das crianças predispostas utiliza menos calorias para funcionar, pelo que terão de comer menos ou movimentar-se mais) e por outro, aos hábitos alimentares e à prática de exercício físico.

Os pais como causa 
A maioria das crianças é capaz de adaptar, desde muito cedo, a ingestão dos alimentos ás necessidades dos seu organismo, não comendo nem mais nem menos do que o que precisa. Não se preocupe, portanto, em restringir o aporte de alimentos das crianças com o pretxto de que não poderão comer para não engordar.

Além disso os pais podem descontrolar esta capacidade natural da criança para comer consoante as necessidades se não tiverem, por ex., uma postura correcta perante as suas exigências afectivas.
Se a cada crise de choro, por ex., a criança for compensada com comida, passa a considerar esta uma forma de resposta ás suas necessidades de afecto, perpetuando esse hábito e portanto comendo sem fome.

Cabe aos pais encontrar um ponto de equilíbrio no que toca ao consumo de doces e outros alimentis não essenciais, sem cair em atitudes extremas, seja por excesso ou por defeito.

Só restringindo se consegue contrariar a gulodice e a sensação de indiferença (que a criança pode sentir se for comendo o que quiser, quando lhe apetecer).
Não é adequado controlar fanaticamente os seus hábitos alimentares, sob pena da criança não chegar a entender os conceitos da alimentação saudável.

A obesidade e o insucesso escolar 
O insucesso escolar pode ser um motivo para comer como mecanismo de compensação. O inverso também é verdade, isto é, num mundo onde se cultiva a estética da elegância e do sucesso, a obesidade pode ser factor de depreciação por parte dos colegas e esta fonte de insucesso escolar.

Classe social como causa
As crianças de classes sociais menos favorecidas, apresentam uma predisposição para o excesso de peso devido a diversas razões:

1) o alimento sustenta o corpo é um conceito sobrevalorizado

2) Falta de noções nutricionais correctas;

3) Limitações no orçamento familiar que condicionam a escolha dos alimentos;

4) Menos actividades desportivas paralelas.