Tratamento da diabetes

Tratamento da diabetes tipo 2
(Não insulino-dependente)

É difícil pensar que se deve tratar uma doença que não tem sintomas (ou em que estes não incomodam muito). Mas hoje existe a certeza de que a diabetes tipo 2 não tratada pode levar a:
– Maior risco de tromboses e ataques cardíacos;
– Doenças nos olhos (que podem levar à cegueira) e doenças dos rins (que levam à hemodiálise e eventual transplante renal);
– Má circulação nas pernas e pés (com maior risco de amputações). 

Também se sabe que o tratamento da diabetes diminui a probabilidade de vir a ter estas complicações. É por este motivo que os médicos acham que se tem de tratar a diabetes.

Como se trata a diabetes do tipo 2?

O primeiro passo no tratamento da diabetes tipo 2 é o mais importante e depende exclusivamente do diabético. Implica uma alteração naquilo que come e quando come e na actividade física que efectua diariamente (o exercício regular – até o andar a pé, permite que o seu organismo aproveite melhor o açúcar que tem em circulação).
Muitas vezes este primeiro passo é o suficiente para manter a diabetes controlada (pelo menos durante algum tempo…).
Quando a diabetes não está controlada, apesar de o diabético cumprir estas regras, é necessário fazer o tratamento com comprimidos e, em certos casos, utilizar insulina.

Para que servem os comprimidos?

Existem diferentes grupos de fármacos (comprimidos) com diferentes acções.
As Sulfonilureias constituem um dos grupos de fármacos utilizados nestas situações vão actuar no pâncreas estimulando a produção de insulina.
A investigação laboratorial continua a procurar novos fármacos com outras características. como 2 novas substâncias de mecanismos semelhantes – repaglinide e nateglinide que entraram recentemente no arsenal terapêutico.

Um outro grupo de comprimidos é constituído pelas Biguanidas que não actuam directamente no pâncreas, mas sim noutros orgãos, facilitando a acção da insulina que se encontra em circulação (combatem a insulino-resistência).

O terceiro grupo de fármacos é constituido pelos inibidores das alfa-glucosidases. Os açúcares que comemos têm de ser digeridos até entrarem no sangue. Este processo de digestão começa na boca e acaba no intestino. Durante este trajecto os açúcares vão sendo transformados através de enzimas noutros mais fáceis de serem absorvidos. As alfa-glucosidases (no intestino) são as últimas enzimas deste processo. Se bloquearmos a sua acção, atrasamos a digestão e absorção de açúcares e diminuímos a elevação da glicémia que geralmente acontece após as refeições. É este o princípio em que se baseiam estes fármacos.

A terapêutica da diabetes tipo 2 tem recentemente mais um grupo de fármacos, os derivados das tiazolidinedionas ou glitazonas. A troglitazona a 1ª molécula deste grupo foi comercializada em alguns países americanos e asiáticos e já retirada mantendo-se a rosiglitazona e a pioglitazona. A sua comercialização nos países europeus foi atrasada após terem surgido alguns efeitos adversos na sua utilização sobretudo a nível hepático. Estas moléculas diminuem a insulino-resistência de um modo muito eficaz, facilitando a acção da insulina ao nível do fígado, músculos e tecido adiposo.

Como devo tomar os comprimidos?

Os comprimidos são receitados pelo médico de acordo com o que ele acha mais adequado atendendo às características do diabético (idade, peso, programa alimentar, outras doenças associadas…)
Ao longo da vida do diabético há geralmente necessidade de ir alterando o número de comprimidos que toma. Por vezes é necessário trocar de medicamentos ou juntar outros.
Um diabético não deve alterar a medicação que faz sem consultar seu médico.
Ao tomar comprimidos para a diabetes não receitados pelo médico pode correr perigo de vida.

E quando os comprimidos não resultam?

Acontece às vezes que apesar de fazer dieta, exercício e tomar comprimidos a diabetes não está controlada. Torna-se então necessário utilizar a insulina (sozinha ou juntando aos comprimidos). O diabético necessita de ter de aprender a utilizar a insulina. Parece ser um passo complicado mas depois de começar, até não é tão difícil!!!

Tratamento da Diabetes Mellitus Tipo 1
(Insulino-Dependente)

Os doentes com diabetes tipo 1 podem ter uma vida saudável, plena e sem grandes limitações. Para tal é necessário fazerem o tratamento correctamente. O objectivo do tratamento é manter o açucar (glucose) no sangue o mais próximo possível dos valores normais (bom controlo da diabetes), de modo a:
1. Sentirem-se bem, isto é, sem nenhuns sintomas.

2. Prevenir o desenvolvimento das manifestações tardias da diabetes doença nos olhos, rins, perda de sensibilidade e má circulação dos membros inferiores e doenças cardiovasculares (enfartes do miocárdio e tromboses cerebrais).

3. Diminuir o risco das descompensações agudas hiperglicémia e cetoacidose.

O tratamento engloba:
1. Insulina
2. Alimentação
3. Exercício físico
4. Educação do diabético onde está englobada a auto-vigilância e o auto-controlo da diabetes através de testes ao sangue e nalguns casos de urina feitos diariamente pelo doente e que permitem o ajuste da dose de insulina e da alimentação.
Em termos práticos, a alimentação aumenta o açúcar no sangue (glicemia), enquanto a insulina e o exercício físico a diminuem. O bom controlo da diabetes resulta assim do balanço entre estes três factores.
Os testes feitos diariamente pelo doente (auto-controlo) informam-no se o açúcar no sangue está elevado, baixo ou normal e permitem-lhe adaptar se necessário os outros elementos do tratamento (alimentação / insulina / exercício físico).

Insulina

Na diabetes tipo 1 ou insulino-dependente, as células do pâncreas que produzem insulina foram destruídas. Por este motivo o pâncreas produz muito pouca ou nenhuma insulina, e sem ela a vida não é possível. Como o próprio nome indica, o diabético insulino-dependente necessita da insulina para viver. A insulina é assim um tratamento imprescindível de substituição.
O tratamento com insulina é feito através de injecção na gordura por baixo da pele (subcutânea). Ainda não foi possível produzir uma forma de insulina que possa ser tomada por via oral visto que ela é destruída no estômago.
Tipos de insulina
A insulina pode ser obtida a partir do pâncreas do porco ou feita quimicamente identica à insulina humana por tecnologia do DNA recombinante ou modificação química da insulina do porco.
Em Portugal só é comercializada insulina igual à insulina humana, produzida por técnicas de engenharia genética, sendo as reacções alérgicas muito raras dada a sua grande pureza (não confundir insulina humana com insulina extraída de seres humanos).
Existem diversas concentrações de insulina. Em Portugal só está disponível a concentração U-100 (1 ml = 100 unidades). Noutros países há disponível concentrações de U-40 ou U-80.

As insulinas dividem-se, consoante:
– Início de acção: tempo que demora a insulina a actuar depois de injectada a começar a actuar (a de acção rápida, lenta ou intermédia);
– Pico máximo: período de tempo em que a insulina actua com maior actividade (maior capacidade de diminuição do açúcar no sangue);
– Duração de acção: tempo que a insulina actua no organismo.

Aparelhos de administração de insulina
– Seringas de plástico com agulha fixa (podem ser reutilizadas enquanto a agulha não ficar romba) com escalas de 1 unidade ou 2 unidades e que permitem que as insulinas de acção rápida possam ser misturadas com as de acção intermédia NPH, na mesma seringa.
– Canetas de injecção onde são colocados pequenos frascos de diferentes insulinas (recargas)
– Seringas pré-cheias descartáveis (só existem no mercado com insulina insulatard e insulina mixtard 30.
– Atenção ao facto de que cada caneta de insulina deve utilizar a agulha própria. Trocas com agulhas de marcas não compatíveis permitem que a insulina se escape. Actualmente as agulhas são extremamente finas, tornando as picadas praticamente indolores.
– Bombas de infusão de insulina portáteis que permitem a administração de insulina rápida por via subcutânea com um débito continuo pré-programado e reforços desencadeados pelo diabético ás refeições.

Locais de injecção

A parede abdominal é o local de eleição para mais rápida absorção da insulina de acção rápida. É preferível nas injecções durante o dia.
A coxa utiliza-se preferencialmente para as injecções de insulina de acção intermédia, sendo a região das nádegas uma alternativa.
Dever-se-á proceder à rotação dos locais de injecção dentro das áreas, de pelo menos 3 cm relativamente à picada anterior, de modo a evitar a formação de nódulos (lipodistrofias)que poderão interferir na absorção da insulina.

Conservação da insulina

– Frasco de insulina não utilizado – Manter no frigorifico
– Frasco de insulina já utilizado – Manter no frigorifico e utilizar até 3 meses
– Frasco de insulina utilizado – Manter à temperatura ambiente e utilizar até 1 mês

Administrar insulina recém retirada do frigorifico causa uma sensação local desagradável mas, se o tiver de o fazer, aqueça-a, mantendo contacto da seringa ou caneta com as suas mãos durante alguns minutos até atingir a temperatura do seu corpo.