Depressão

Depressão major

Esta forma é caracterizada por humor deprimido, em que o indivíduo comunica através da fala, da mímica e do comportamento, uma vivência de dor e abatimento (manifesta um aumento da irritabilidade, acessos de cólera, frustração, tristeza.) Esta vivência é diferente da tristeza normal a que cada um pode estar sujeito nas situações desfavoráveis da vida, tanto em intensidade e duração como pela sua natureza; além disso, contrariamente ao que sucede na tristeza normal, o indivíduo atingido por esta forma de depressão mostra-se insensível ao encorajamento, à amizade e ao amor. Outros sintomas associados a estes são: a diminuição ou desaparecimento do interesse e do prazer em todas ou quase todas as actividades habituais, como a presença do companheiro ou dos filhos, o desporto, a música, os hobbies; o abrandamento da actividade psíquica e motora, que leva o deprimido a falar pouco e a mover-se pouco, lentamente e com dificuldade; a falta de energia; o sentimento de inadptação, inutilidade, desespero, sentimentos de culpa; a falta de apetite e perda de peso; as perturbações do sono (sofre de insónia quase total ou de despertar matinal precoce; pensamentos de morte e por vezes ideias ou tentativas de suicídio).

Os períodos de depressão têm um início e um fim mais ou menos identificáveis e, entre um período e outro, o indivíduo deprimido sente-se bem. Cada episódio pode manifestar-se espontaneamente ou após determinados momentos de stress.

Esta forma de depressão tem frequentemente origem familiar; é muito sensível aos fármacos e pouco à psicoterapia.

Distimia

O termo distimia indica uma forma de depressão ligeira crónica que perdura por um período mais longo. Embora possa acontecer a qualquer um sentir-se desmoralizado, triste ou inadaptado, quem sofre de distimia tem sintomas depressivos quase diariamente e durante grande parte do dia, por um período mínimo de dois anos. Estes indivíduos podem ainda mostrar pouca auto-estima, comer e dormir mais ou menos do que o habitual, sentir-se fatigadas, ter dificuldade em se concentrar ou tomar decisões e experimentar uma sensação de desespero. Estes sintomas, porém, são menos graves do que os da depressão major.

Causas da doença?

Entre as causas da depressão podem incluir-se factores sociais como o empobrecimento ou a solidão, a diminuição do humor, frequentemente manifestada após o parto ou a perda de um ente querido. Mas, sobretudo nas pessoas já predispostas, estes acontecimentos da vida podem actuar como causa desencadeante da doença. Noutros casos, pelo contrário, os sintomas podem surgir espontaneamente, como um facto inesperado e súbito. A depressão também pode ter um componente hereditário. De facto, verificou-se que esta doença tende a apresentar-se mais frequentemente no seio dos elementos de uma mesma família. Esta teoria foi confirmada por vários estudos realizados em filhos de pais que sofriam de perturbações do humor, criados por pessoas não afectadas por estes problemas; verificou-se que estes indivíduos apresentavam perturbações do humor que nunca se tinham manifestado nos pais adoptivos.

Uma questão de transmissão

A depressão manifesta-se quando determinados sistemas de transmissão entre as células do cérebro, ou seja, os neurónios, se alteram. Com efeito, para que o sistema nervoso funcione bem, é necessário que a transmissão das mensagens eléctricas de um neurónio para outro ocorra através do ponto de contacto entre uma célula e outra, que se designa por sinapse. Quando uma mensagem eléctrica enviada por um neurónio chega à sinapse, provoca a libertação de determinadas substâncias químicas, os neurotransmissores, que funcionam como mensageiros, depois de passarem ao neurónio seguinte onde provocam a saída de um novo sinal eléctrico.

Consequentemente, quando a actividade de alguns neurotransmissores se altera, podem ocorrer “transmissões perturbadas”. Especificamente no aparecimento da depressão, são dois os neurotransmissores principalmente implicados: a serotonina e a noradrenalina, que estão envolvidas em todas as funções que se apresentam alteradas durante a depressão e que provocam os sintomas característicos desta.

Entre os factores da depressão, podemos enumerar:
Factores ocupacionais
Sobrecarga de trabalho
Tempos de descanso curtos
Não atingimento dos objectivos
Problemas com os superiores
Problemas de carreira
Início das aulas
Dificuldades económicas
Dificuldades financeiras
Despedimento
Reforma

Factores familiares
Fim de uma relação sentimental
Relações conflituosas
Problemas conjugais
Divórcio
Luto
Separação da família
Estar longe de casa
Casamento
Paternidade
Maternidade 
Factores ligados ao estado de saúde
Perda da integridade física
Lesões graves
Doença crónica
Doença debilitante
Doença incapacitante
Fármacos (anti-hipertensores, corticosteróides, anti-dopaminérgicos para a doença de Parkinson, etc? )

Factores ligados a acontecimentos acidentais
Testemunha de acontecimentos graves
Catástrofes naturais
Acidentes dos quais se sinta culpado
Acidentes rodoviários, domésticos, nos tempos livres

Factores ligados à violência
Violência física
Violência psicológica
Tortura
Assalto
Rapto
Ataque terrorista
Prisão
Guerra

Factores de Risco?

Em particular estão mais expostos ao risco aqueles que:

– Já sofreram episódios de depressão anteriores
– Têm familiares que sofrem de depressão
– Têm de conviver com adversidades frequentes
– Têm problemas de relacionamento com os outros
– Sofrem de isolamento social:
. Idosos
. Desocupados e subocupados
. Marginalizados
. Minorias étnicas
– São doentes ou incapacitados
– As mulheres nos dezoito meses a seguir ao parto
– Na puberdade
– Mulheres na menopausa
– As pessoas que abusam de drogas, medicamentos, álcool.

Como se identifica?

Um diagnóstico de depressão major deve basear-se nos seguintes critérios:
Pelo menos cinco dos seguintes sintomas – um dos quais deve ser humor deprimido ou diminuição do interesse ou do prazer – que se manifestem quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, e que representem uma mudança relativamente ao comportamento emotivo e funcional habitual do indivíduo:
1. Humor deprimido (o indivíduo sente-se cansado ou vazio ou parece cansado e sempre a ponto de começar a chorar)
2. Diminuição marcada do interesse e do prazer em todas, ou quase todas as actividades
3. Aumento ou perda de peso significativos, sem qualquer dieta (por exemplo, mais de 5% do peso corporal num mês) ou aumento ou diminuição do apetite
4. Aumento ou perda de sono, em relação ao habitual.
5. A diminuição ou aumento da rapidez na execução de actividades observdas por terceiros
6. Fadiga ou perda de energia
7. Sentimentos de inutilidade ou de culpa, excessivos ou injustificados
8. Dificuldade em pensar, concentrar-se ou tomar decisões
9. Pensamentos recorrentes de morte (não apenas medo de morrer), pensamentos suicidas recorrentes, sem um plano concreto ou sem tentativa de suicídio, ou com um plano concreto para cometer suicídio.

10. Profundo sofrimento ou comprometimento das actividades sociais ou profissionais ou de outras funções importantes.
11. Os sintomas não são imputáveis aos efeitos directos de uma substância química (por exemplo, drogas ou fármacos) ou de uma doença (por exemplo, hipotiroidismo).
12. Os sintomas persistem para além de dois meses após a perda de um ente querido.

Um diagnóstico de distimia, por sua vez, deve basear-se nos seguintes critérios:
Humor deprimido, referido pelo próprio indivíduo ou observado por outros, quase todos os dias e durante grande parte do dia, ao longo de dois anos.
Pelo menos dois dos seguintes sintomas durante os momentos de depressão:
1. Falta ou excesso de apetite
2. Mais ou menos sono em relação ao habitual
3. Perda de energia ou fadiga
4. Diminuição da auto-estima
5. Dificuldade em concentrar-se ou tomar decisões
6. Sensação de desespero
– Durante estes dois anos (um ano para as crianças e adolescentes), os períodos durante os quais não são observados sintomas não se prolongam por mais de dois meses.
– Durante os dois primeiros anos (um ano para as crianças e adolescentes) após o início da perturbação, não se manifestarem episódios de depressão major.
– Nenhum episódio maníaco ou hipomaníaco.
– Ausência de outras perturbações mentais (esquizofrenia, por exemplo)
– Os sintomas não são imputáveis ao uso de substâncias químicas (drogas ou fármacos) ou a doença (hipotiroidismo, por exemplo)
– Profundo sofrimento ou comprometimento das actividades quotidianas.

O auto-teste

Os indivíduos afectados por uma perturbação depressiva:
– Sentem-se cronicamente deprimidos, tristes, vazios, desencorajados e choram com frequência
– Não demonstram interesse nem prazer na prática de actividades que anteriormente consideravam agradáveis, comem mais ou menos do que habitual e ganham ou perdem peso
– Dormem mal ou muito mais do que o habitual
– Sentem-se mais lentos nos movimentos, ou inquietos
– Sentem-se cansados, apáticos e sem forças
– Sentem-se impotentes, desesperados e inúteis
– A concentração causa-lhes fadiga
– Estão menos eficientes ou produtivos do que anteriormente
– Têm dificuldade em pensar com lucidez ou em tomar decisões
– Têm problemas de memória
– Pensam constantemente em morte ou suicídio
– Têm uma má opinião de si próprios, sentem-se abatidos, inadaptados
– Pensam frequentemente no passado
– Não mostram interesse pelo sexo ou têm uma actividade sexual menos intensa do que o habitual, fechando-se em si próprios
– Desenvolvem sintomas físicos como cefaleia, problemas digestivos, dores difusas.

Como vencer a depressão?

– Programar para cada dia as coisas simples que poderá fazer, mas que o ajudem a enfrentar melhor o dia, como ir ao cabeleireiro, passar a ferro, sair para comprar o jornal.
– Procurar caminhar meia hora por dia nas horas do meio do dia, porque a luz afasta o mau humor.
– Para descansar melhor, levantar-se e deitar-se sempre à mesma hora.